Resposta direta
Sim, o reservatório de ar comprimido do compressor é vaso de pressão e está sob a NR-13. O ar comprimido é fluido da classe menos severa, o que costuma resultar em categoria mais branda — mas categoria branda não significa isenção: o equipamento precisa de prontuário, registro de segurança, dispositivos de segurança aferidos, inspeção periódica por profissional habilitado e laudo com ART. É o vaso de pressão mais comum da indústria brasileira e o que mais aparece irregular em auditoria, justamente porque quase ninguém o chama de vaso de pressão.
Quando você precisa deste serviço
O reservatório é vaso de pressão?
Sim. O reservatório acoplado ao compressor — chamado no dia a dia de "pulmão", "tanque do compressor" ou "cilindro de ar" — é vaso de pressão e está abrangido pela NR-13.
O critério não é o nome nem a aparência do equipamento, e sim a função: recipiente fechado que contém fluido sob pressão acima da atmosférica. Isso vale para o reservatório vertical de 200 litros de uma serralheria e para o pulmão de 5.000 litros de uma linha de produção.
A confusão vem de três lugares:
- O equipamento é vendido como acessório do compressor, não como vaso de pressão
- O fluido é ar, que soa inofensivo comparado a vapor ou produto químico
- Não há operador dedicado — ninguém "opera" o reservatório, ele só está lá
Nenhum desses pontos afasta a norma. A energia armazenada em um reservatório pressurizado é função da pressão e do volume, e o ar é um gás compressível — ou seja, em caso de ruptura, libera essa energia de forma explosiva, ao contrário do que ocorreria com um líquido.
Como se define a categoria
A categorização de vasos de pressão na NR-13 combina dois elementos:
1. A classe do fluido, que reflete a periculosidade intrínseca — inflamabilidade, toxicidade, temperatura
2. O produto entre pressão e volume, que reflete a energia armazenada
O ar comprimido se enquadra na classe de fluido menos severa. Isso empurra o equipamento para categorias mais brandas, com prazos de inspeção mais longos — mas não o retira da norma.
O efeito prático dessa combinação:
| Situação | Consequência típica |
|---|---|
| Reservatório pequeno, baixa pressão | Categoria mais branda, prazos mais longos |
| Reservatório grande ou pressão elevada | Categoria mais exigente, prazos menores |
| Sem PMTA definida | Não há como enquadrar — o primeiro passo é determinar a PMTA |
| Plaqueta ilegível ou ausente | Exige levantamento técnico antes da categorização |
O erro mais frequente aqui é presumir a categoria "de olho". O enquadramento é calculado, registrado no prontuário e determina todo o regime de inspeção subsequente. O procedimento completo está em vasos de pressão NR-13: classificação por categoria.
Por que ele fica de fora do controle
Em auditoria, o reservatório de ar comprimido é o achado mais recorrente. As causas se repetem:
- Não está no inventário — a planta lista caldeiras e vasos de processo, e esquece a sala de compressores
- Foi comprado junto com o compressor, como parte de um pacote, sem documentação própria
- Fica em área periférica — casa de máquinas, mezanino, área externa, fundos
- Não tem responsável definido — manutenção cuida do compressor, não do reservatório
- É antigo e sobreviveu a várias gerações de gestão da planta
- Foi transferido de outra unidade sem documentação
- Ninguém o chama de vaso de pressão, então ele não entra no processo de NR-13
O resultado é sempre o mesmo: equipamento pressurizado, muitas vezes com anos de condensado acumulado no fundo, sem qualquer verificação de espessura de parede.
Por isso a primeira entrega de qualquer programa de regularização é o inventário completo — incluindo o que ninguém chama de vaso de pressão.
Riscos reais do reservatório sem controle
O mecanismo de falha do reservatório de ar comprimido é bem conhecido e silencioso: corrosão interna pelo condensado.
O ar atmosférico contém umidade. Ao ser comprimido e resfriado, essa umidade condensa e se acumula no ponto mais baixo do reservatório. Se o dreno não é operado — manual esquecido, automático entupido — a água permanece ali permanentemente.
A sequência típica:
1. Condensado se acumula no fundo do reservatório
2. Corrosão ataca a parede interna a partir da lâmina d'água
3. A espessura de parede reduz progressivamente, sem qualquer sinal externo
4. A pressão de trabalho permanece a mesma, mas a margem de segurança desaparece
5. A falha ocorre por ruptura da região corroída
O ponto crítico é o item 3: por fora, o reservatório continua com a mesma aparência. Não há vazamento gradual que sirva de aviso. É exatamente por isso que a medição de espessura por ultrassom é o ensaio central desta inspeção — ela mede o que a inspeção visual não alcança.
Um reservatório com pintura impecável e dreno entupido há cinco anos é mais perigoso do que um reservatório enferrujado por fora com purga funcionando.
O que a inspeção verifica
Exame externo
- Identificação: plaqueta, fabricante, número de série, PMTA, volume, ano
- Corrosão externa, especialmente na base e nos pontos de apoio
- Estado das soldas do costado e dos tampos
- Deformações, amassamentos e reparos anteriores
- Bocais, conexões, roscas e flanges
- Fixação, base, chumbadores e nivelamento
- Aterramento e instalação elétrica associada
- Condições do ambiente, ventilação e acesso
Exame interno e medição
- Medição de espessura por ultrassom em malha definida, com atenção à geratriz inferior
- Inspeção interna por boca de visita quando existente, ou boroscopia quando não há acesso
- Avaliação do acúmulo de condensado e de produtos de corrosão
- Verificação de pites e corrosão localizada
- Cálculo da espessura mínima requerida e comparação com a medida
- Determinação ou revalidação da PMTA
- Estimativa de taxa de corrosão e de vida remanescente, quando há histórico
Sistema de drenagem
- Dreno manual acessível e operante
- Purgador automático funcionando, quando existente
- Ausência de acúmulo permanente de água
- Rotina de purga definida e registrada
A medição da geratriz inferior é o ponto mais importante de todo o serviço: é ali que o condensado se deposita e é ali que a parede afina primeiro.
Dispositivos de segurança obrigatórios
| Dispositivo | Requisito |
|---|---|
| Válvula de segurança | Dimensionada para a capacidade do compressor, ajustada e aferida, com registro |
| Manômetro | Legível, na faixa adequada, com calibração vigente |
| Dreno | Acessível e operante — manual ou automático |
| Pressostato | Ajustado abaixo da PMTA |
| Identificação da PMTA | Visível no equipamento |
Duas falhas específicas e frequentes:
- Válvula de segurança lacrada, pintada ou substituída por bujão. É a última barreira do equipamento. Anulada, o reservatório passa a depender exclusivamente do pressostato — que é um dispositivo de controle, não de segurança.
- Válvula subdimensionada. A válvula precisa ser capaz de aliviar a vazão do compressor. Válvula "que existe" mas não dá conta da vazão não cumpre a função em uma falha do pressostato.
A aferição periódica da válvula de segurança precisa estar documentada. É um dos itens que o auditor pede logo depois do prontuário.
Periodicidade e documentação
O regime de inspeção decorre da categoria do equipamento. Para vasos de pressão, os prazos máximos sem SPIE:
| Categoria | Exame externo | Exame interno |
|---|---|---|
| I | 1 ano | 3 anos |
| II | 2 anos | 4 anos |
| III | 3 anos | 6 anos |
| IV | 4 anos | 8 anos |
| V | 5 anos | 10 anos |
Documentação que o equipamento precisa ter:
1. Prontuário — dados de projeto, material, PMTA, categoria, memorial e registros
2. Registro de segurança — ocorrências operacionais e intervenções
3. Laudos de inspeção com ART
4. Certificado de calibração do manômetro
5. Registro de aferição da válvula de segurança
6. Projeto de instalação
Quando o reservatório não tem prontuário — situação da maioria — o caminho é a reconstituição: levantamento, medição de espessuras, cálculo da PMTA, categorização e emissão do documento. As consequências de operar sem ele estão em empresa sem prontuário NR-13.
Custos e prazos
| Serviço | Faixa | Prazo típico |
|---|---|---|
| Inspeção com laudo e ART | R$ 900 – R$ 2.500 | 5 a 10 dias úteis |
| Inspeção + reconstituição de prontuário | R$ 2.500 – R$ 6.000 | 15 a 30 dias |
| Vários reservatórios no mesmo endereço | Custo unitário bem menor | Conforme quantidade |
| Teste hidrostático, quando indicado | R$ 2.500 – R$ 5.000 | Programação com parada |
O reservatório de ar comprimido é, em geral, o equipamento sob pressão de menor custo de regularização de toda a planta — e o de maior probabilidade de estar irregular. Quando a empresa está estruturando o programa de NR-13, começar por ele costuma ser a decisão mais eficiente: elimina rapidamente o achado mais provável de auditoria.
Plantas com vários compressores, ou grupos com várias unidades, têm ganho de escala relevante ao contratar em lote.
O que você recebe
- Laudo de inspeção do reservatório com conclusão sobre aptidão operacional
- Relatório de medição de espessura por ultrassom, com mapa de pontos
- Cálculo ou revalidação da PMTA e enquadramento por categoria
- Verificação e registro dos dispositivos de segurança
- Prontuário criado ou atualizado
- Registro fotográfico e lista de não conformidades com prazos
- Definição do próximo prazo de inspeção
- ART recolhida e vinculada ao serviço
Como funciona
Levantamento inicial
Informe quantidade, volume e pressão dos reservatórios. Uma foto da plaqueta já permite orçar com precisão.
Proposta em 24h
Escopo fechado, prazo e valor, com indicação de reconstituição de prontuário quando o equipamento não tiver documentação.
Inspeção em campo
Exame externo, medição de espessura por ultrassom com foco na geratriz inferior, verificação de dispositivos e do sistema de drenagem.
Análise e cálculo
Espessura mínima requerida, PMTA, taxa de corrosão quando há histórico, e enquadramento por categoria.
Laudo e prontuário
Emissão do laudo com ART e entrega do prontuário criado ou atualizado, com o próximo prazo definido.

